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Risco de morrer por Covid no Brasil é três vezes maior que no resto do mundo, indica estudo

Somente nove de 178 países analisados estariam em uma situação pior que a brasileira, considerando aspectos demográficos

O risco de morrer pela Covid-19 no Brasil é três vezes maior do que no resto do mundo, conforme aponta levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O estudo é do economista Marcos Hecksher, pesquisador do Ipea. Em 169 de 178 países, a taxa de mortes pelo novo coronavírus foi menor que no Brasil – em números absolutos e proporcionais às populações, por sexo e idade.

Ou seja, se em todos os 178 países os cidadãos tivessem morridos na mesma proporção em que morreram no Brasil, somente nove estariam em uma situação pior que a brasileira (Peru, México, Belize, Bolívia, Equador, Panamá, Colômbia, Macedônia do Norte e Irã).

Conforme o Ministério da Saúde, o Brasil contabiliza 226.309 óbitos pela Covid-19. Só em 2020, foram 195 mil mortes. Em números absolutos, o país é o segundo país com mais mortes no mundo, atrás apenas do Estados Unidos.

Na comparação do número de mortes por 100 mil habitantes, o Brasil aparece em 12° lugar, conforme levantamento da Universidade Johns Hopkins. O país com mais mortes por 100 mil habitantes é o Reino Unido, seguido por República Tcheca e Itália.

Mas Hechksher ressalta que o levantamento do risco de morte proporcional é mais complexo, pois deve levar em contato aspectos demográficos, incorporando ao cálculo a mortalidade por faixa etária e sexo.

Países europeus e os Estados Unidos têm população com maior porcentagem de idosos que a do Brasil, o que os torna mais propensos a terem altos índices de óbitos pela Covid-19.

O estudo utilizou dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização das Nações Unidas (ONU) e do Ministério da Saúde Brasileiro.

A conclusão é que os 169 países, com suas respectivas pirâmides populacionais e divisões por sexo, teriam mais mortes do que já registraram se seguissem o padrão brasileiro de mortes em cada faixa etária e sexo.

“Entre os 179 países analisados, o Brasil fica na 10ª pior posição do ranking. Isso significa que 95% dos países (analisados) tiveram resultado melhor que o Brasil no combate à covid-19 em 2020 quando se leva em conta a demografia de cada um”, explica Hecksher.

O Vietnã, que registrou 35 mortes por Covid-19, teve 0,05% da mortalidade esperava se o país replicasse o padrão brasileiro. “Em outras palavras, dados o sexo e a idade de uma pessoa, o risco médio de morrer em 2020 de Covid-19 foi 2 mil vezes maior no Brasil do que no Vietnã”, indica Hecksher.

Desemprego

O pesquisador também fez uma comparação dos dados de desemprego no país e o resto do mundo, durante a pandemia.

Fazendo cálculo da proporção de pessoas ocupadas em relação à população com idade de trabalhar, o Brasil tinha menos da metade (47,1%) desse contingente empregado no terceiro trimestre de 2020.

O país é o segundo pior na comparação com o resto do mundo, perdendo apenas para a África do Sul (37,5%). Houve queda de 7,7 pontos percentuais do contingente empregado em relação ao mesmo período de 2019.

Marcos Hecksher ressalta que não há relação direta entre os índices de mortes e desemprego durante a pandemia, mas a situação brasileira mostra que não há fundamento no dilema entre estimular economia ou defender isolamento.

“A gente embarcou nesse falso dilema, não se protegeu direito e acabou sendo mais afetado do que a maioria dos países tanto pela Covid-19 quanto pelo desemprego”, afirmou o pesquisador.

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