Brasil, Ceará e Fortaleza têm recorde de mortos em 24 horas

Foram 23 mortes registradas em Fortaleza, 32 no Ceará e 407 no Brasil em 24 horas. Especialistas reiteram importância de manutenção do isolamento social

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Nas últimas 24 horas, Fortaleza, Ceará e Brasil registraram recorde no número de mortos em decorrência da Covid-19. Segundo o prefeito Roberto Cláudio, entre a última quarta-feira, 22, e ontem, 23, foram registradas 23 mortes na Capital. No Ceará, esta quinta-feira foi o dia mais crítico da pandemia, com maior número de novos casos (587) e óbitos (32). Ao todo, são 4.702 diagnósticos laboratoriais e 271 mortes, de acordo com a plataforma IntegraSUS, da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), atualizada às 17h15min. O cenário nacional também foi de salto nos números, com mais 3.735 casos e 407 óbitos, somando 49.492 confirmações e 3.313 mortes, conforme divulgação do Ministério da Saúde.

Em um momento em que setores da economia pressionam pelo afrouxamento das medidas de isolamento social, especialistas alertam que o momento é de continuar a quarentena. Isso porque o sistema de saúde brasileiro está perto de saturar, mas ainda não chegamos no pico da infecção — quando a demanda por atendimento médico chegará ao ápice.

“Para quem não atentou ainda para a importância do que a gente está vivendo, esse número talvez traduza a necessidade de cada um de nós cuidar da nossa própria saúde, da saúde do outro e da saúde da cidade”, alertou RC. Ele reiterou a importância do isolamento social como forma de diminuir a disseminação do novo coronavírus.

O prefeito destacou bairros em que o isolamento social deve ser reforçado. São eles Pirambu, Cristo Redentor, Barra Do Ceará, Álvaro Weyne e Carlito Pamplona. Além da região do grande Mucuripe: Vicente Pinzon, Cais do Porto e comunidade Serviluz. Os residenciais Cidade Jardim, os bairros Planalto Ayrton Senna e Prefeito José Walter também foram citados pelo chefe do executivo municipal.

No Estado, 116 municípios têm casos confirmados laboratorialmente. São 14.750 casos suspeitos e taxa de letalidade de 5,8%.

“O pico vai variar conforme a gente consegue ficar em quarentena. As pessoas estão reduzindo a taxa de quarentena. O pico depende da taxa de adesão ao isolamento. Não tem como abrir escola agora de jeito nenhum. Não é o momento de flexibilização”, avalia Juliana Reis Cortines, virologista do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela destaca que, no País, alguns hospitais de campanha ainda não ficaram prontos. “Por isso, é importante tentar empurrar essa curva mais pra frente para dar tempo”, diz.

Hoje, o número de mortos dobra entre nove e dez dias no Brasil, observa Vitor Sudbrack, físico do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do Observatório da Covid-19. “Itália e Espanha estão começando a pensar em relaxar as medidas de distanciamento social. O tempo de duplicação do número de mortes é 35 dias na Itália e 43 na Espanha. Ainda temos uma longa jornada de aumento do tempo de duplicação para falar que saímos de uma fase de crescimento exponencial e chegamos a uma fase de saturação, que é o pico, quando temos o maior valor”, explica o pesquisador, que estuda modelagem matemática e física biológica.

Ele avalia que a disseminação da Covid-19 no Ceará está mais lenta do que “uma pandemia se expandindo livremente”. “Porém, o tempo de duplicação tem se mantido constante entre 5 e 9 dias. É importante para o estado não medir esforços pra diminuir o ritmo de contágio e aumentar esse tempo de duplicação do número de mortos”, pondera.

Via O POVO

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