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Mauro Albuquerque “Não vou colocar os caras para se digladiarem”

Secretário da Administração Penitenciária diz que não prometeu rever a distribuição de presos pela facção de pertencimento, mas que estuda a medida

A adoção de uma disciplina rigorosa como forma de manter o controle total das unidades prisionais do Ceará teria causado o 15º ciclo de atentados criminosos registrado no Estado. A conclusão é do titular da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), Mauro Albuquerque. Em entrevista por telefone ao O POVO, o secretário atribui os ataques ao novo modelo de gestão, combinado às operações realizadas para apreender celulares nas cadeias e isolar lideranças de facções criminosas. Segundo Mauro, todos os atos de indisciplina serão punidos.

O POVO: O que deflagrou esse levante dos presos e uma nova crise na Segurança do Ceará? Houve alguma ação específica, como a varredura em busca de celulares nos presídios?

Mauro Albuquerque: Na realidade, não sei. Havia uma expectativa deles quanto à minha chegada. E medo do enfrentamento. Só isso.

O POVO: – Essa expectativa era sobre o fim da divisão dos presos por facção? O senhor irá mesmo desfazer essa distribuição?

Mauro – Não, não prometi nada disso. Eu disse que iria analisar os impactos que a medida poderia ter. E continuo analisando isso hoje.

OP – Mas qual é o cenário hoje do sistema prisional?

MauroA gente está tomando as medidas. Toda vez que há uma ocorrência (ataque), a gente toma uma medida legal. Só isso. Vamos analisar caso a caso. Às vezes, você fala uma coisa e a pessoa entende outra.

OP – Quais medidas são essas? Responsabilização dos presos?

Mauro – É. Indiciamento. Se o preso se amotinar, responderá criminalmente. Se desrespeitar o agente, responde administrativamente. E se cometer crime (ordenar ataque), vai responder. É o que manda a lei.

OP – O apoio Federal que ocorreu em 2016, e que teve a participação do senhor, estabilizou o sistema, mas não resolveu o problema. A situação hoje é diferente?

Mauro – Sim. Agora, já mudou. Queremos estabilizar dentro da disciplina. Antes, não tinha procedimento padrão. O Estado está cumprindo a lei e vai ser mantida a disciplina. Estamos criando procedimento e assegurando o controle das unidades prisionais.

OP – Quais unidades apresentaram problemas?

Mauro – A CPPL I (que abriga membros do Comando Vermelho – CV) e a CPPL III (onde estão os presos do Primeiro Comando da Capital – PCC). O resto está tranquilo. Aliás, lá também está tranquilo. Eles tentaram e não conseguiram. E como houve essa situação nessas unidades (motins), foram suspensas as visitas até a estabilização da crise, fora e dentro dos presídios. Foi suspenso na III e na I. E se mais alguma cometer indisciplina, vai entrar também.

OP – Retomando a divisão dos presos, já se fala que estaria havendo redistribuição dos detentos, tendo como base o critério de condenados e provisórios. Procede?

Mauro – Só se for em outra secretaria porque, até agora, não mudei nada. Estou fazendo algumas movimentações dentro do sistema.

OP – Com o deslocamento de lideranças?

Mauro – É. Por aí.

OP – Eles continuarão sob a custódia do Estado ou serão mandados para unidades federais?

Mauro – Não, provavelmente vão ficar com a gente. Estou analisando.

OP – Mas, longe dos ‘comandados’ e dos rivais?

Mauro – É lógico. Não vou colocar os caras dentro de um estádio para se digladiarem, não. É igual o ‘preso segurado’. É cada um no lugar, cada um no seu quadrado. Mas dentro de uma unidade, que é do Estado e com controle do Estado. Vai ser um tipo de seguro, até mesmo para eles não se matarem lá. Vou colocar todas as lideranças no seguro para eles não se matarem.

OP – O fato de ter sido noticiado que o senhor juntaria novamente os presos rivais influenciou nessa crise?

Mauro – Não. Já tinha fala por n motivos. ‘Se fizer isso, vai ter’. ‘Se presidente assumir, vai ter’. ‘Se o governador… vai ter’. ‘Se o secretário assumir, vai ter’. ‘Se não tiver visita, vai ter’. ‘Se tirar o preso de uma ala, vai ter’…

OP – E qual o objetivo disso?

Mauro – Eles querem essa situação. Falam como se a minha fala tivesse ameaçado o preso. Cumprir a lei é ameaça? Então, há uma inversão de valores. Tem que parar de fazer projeção negativa do Estado como se o preso estivesse certo. O cara está cometendo um crime, se impondo contra a sociedade e a gente está ainda argumentando como se ele estivesse dentro da razão. Mas, só estou fazendo o meu trabalho.

OP – Podemos dizer, portanto, que essa disciplina e as ações que o senhor tomou, logo após a posse, motivaram essas ações?

Mauro – É um dos motivos. A partir do momento em que o preso está ameaçado, que o crime organizado está ameaçado de perder o poder, vai tentar alguma cosia. O Estado está aí para enfrentar e a gente faz o nosso trabalho. O Estado não pode é recuar. A gente vai fazer o que tiver que ser feito, dentro da legalidade, lógico.

Matéria do O Povo

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