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Brasil

Foragidos do Ceará mortos no Rio de Janeiro eram procurados desde 2019

Busca pelos criminosos deu origem à Operação Guilhotina, que apreendeu 1,7 tonelada de drogas em fevereiro

Os dois foragidos da Justiça cearense mortos durante operação da Polícia no Rio de Janeiro nessa terça-feira (6) eram procurados desde 2019. As investigações contra ambos deram, inclusive, origem à Operação Guilhotina, na qual houve apreensão de mais de 1,7 tonelada de drogas no Pará e acarretaram prisão de grupo criminoso no último mês de fevereiro.

Um dos criminosos foi identificado José Erasmo de Sousa Filho, o “Bigode”, 31 anos, investigado por tráfico de drogas e integrar organização criminosa. O outro, Carlos Menezes Bezerra, o “Carlinhos, 40 anos, tinha ficha mais longa: respondia por homicídios, roubo, tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo, furto e associação criminosa.

O delegado-geral da PCCE, Sérgio Pereira, avaliou a operação como exitosa de acordo com os procedimentos da instituição. “Isso aqui é um reflexo de uma filosofia que nós temos de identificar os principais alvos, lideranças, capturar e desmantelar a cúpula de organizações criminosas”.

Sérgio Pereira destacou que os criminosos não devem se considerar ilesos após mudança de território de atuação. “Eles não estão seguros aqui ou em qualquer outro estado”, disse, acrescentando que as investigações seguem mesmo com eventuais retiradas.

Erasmo atuava em grupo criminoso local, no bairro Vicente Pinzón, onde diversos homicídios são atribuídos a ele em razão de disputas de território em função do tráfico de drogas. Devido à posição de destaque alcançada na facção, ele se deslocou para o Rio de Janeiro, onde passou a integrar outro coletivo ilícito.

O criminoso, inclusive, é apontado como autor de um vídeo com exibição de grande quantidade de armas, o qual circulou pelas redes sociais. Na gravação, feita já em sua estada no Complexo do Salgueiro, Erasmo exalta o grupo criminoso e faz ameaças a outras pessoas.

Segundo Kléver Farias, delegado da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), os vídeos, datados de novembro de 2020, colaboraram para a localização de Erasmo. Assim que soube do paradeiro dele, a PCCE realizou intercâmbio de informações sobre o bandido, descobrindo inclusive sobre a manutenção de confrontos com outra organização criminosa na área.

O titular da Draco afirma que é “muito possível” que Erasmo não estivesse atuando apenas no Rio de Janeiro, mas aguardará seguimento das apurações policiais.

De acordo com a delegada Evina Américo, da 1ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Erasmo e Francisco Adriano de Sousa, conhecido como “Sibite”, eram lideranças da organização criminosa na Área Integrada de Segurança (AIS) I, na qual está inserido o Vicente Pinzon. Com a prisão de Sibite, a organização foi “enfraquecida” — Erasmo, então, “rasgou a camisa” da facção local.

“Ele mudou para a facção do Rio porque a local foi desestruturada pela Polícia Civil, inclusive financeiramente”, afirma a delegada, acrescendo que o próprio Adriano, de dentro de cadeia, migrou para outra organização.

Ela pontuou ainda a prisão de um homem identificado apenas como Jordão, vulgo “Coquito”, que seria contato dos criminosos no Rio e atuante no bairro Varjota.

Erasmo, em conjunto com Carlinhos e outros criminosos cearenses, buscou se estabelecer no estado fluminense, onde a organização criminosa a que pertenciam foi fundada. O objetivo era disputar o domínio do tráfico de entorpecentes no Complexo das Almas, comunidade do município de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.

Chefes e outros membros do grupo, porém, encaminharam-se para o estado paraense devido ao avanço das investigações — lá, conforme a PCCE, eles buscavam um “território neutro”. A Operação Guilhotina, contudo, interveio nos planos e capturou dois criminosos em fevereiro deste ano.

Conforme Kléver Farias, Erasmo subiu de hierarquia: veio a ser um “destaque” em organização atuante no bairro Vicente Pinzon, em Fortaleza, posteriormente virando um dos “principais destaques” do grupo do Rio de Janeiro. O delegado acredita que ele estava no estado do Sudeste havia pleo menos três ou quatro meses.

A operação realizada na comunidade de São Gonçalo nessa terça-feira teve o intuito de localizar chefes do tráfico de drogas na área.

Com uso de veículos blindados e aeronaves da Core, os agentes foram recebidos a tiros pelos suspeitos, que se refugiaram em casas do Conjunto da Marinha e em área de mata e mangue próxima à localidade. Durante a troca de tiros, três alvos acabaram mortos.

Ao todo, foram apreendidos armamentos como pistolas e dois fuzis, bem como diversos carregadores e munições. A Polícia apreendeu também trajes conhecidos como “Ghillie”, próprios para disfarce em zonas de mata, além de abundante quantidade de tabletes de drogas.

A ofensiva teve participação da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil (SSINT) e fez uso de informações advindas da investigação da PCCE.

A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) recebe denúncias da população para investigação de ações criminosas. Os cidadãos podem entrar em contato por meio do WhatsApp (85) 98969-0182 e enviar mensagens de texto, fotos, áudios e vídeos que auxiliem os trabalhos policiais.

O repasse de informações também pode ser feito pelo Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), cujo número é o 181. As autoridades garantem sigilo e anonimato.

Via DN

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