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Família faz apelo para que Polícia ajude a encontrar corpo de entregador morto por facção

Bandidos de facção teriam assassinado o entregador de gás e enterrado o corpo. Família pede ajuda

Jornalista Fernando Ribeiro | “O que nós da família queremos é apenas o corpo para podermos enterrar”. O apelo é do irmão de um homem que está desaparecido de casa há duas semanas e que, provavelmente, foi morto e seu cadáver ocultado por membros de uma facção criminosa. Desesperada, a família faz um apelo através da Imprensa, já que, segundo ela, as autoridades policiais ignoraram os pedidos de buscas ao corpo.

O caso foi registrado na comunidade São Miguel, no Município de Caucaia. Os familiares, vizinhos e amigos do entregador Carlos Clementino de Sousa, 43 anos, estão indignados com o fato. Ele teria sido assassinado por ignorar a ordem de uma facção que comanda a comunidade e dita regras para o comportamento das pessoas.

A disputa por território divide as comunidades São Miguel e Zizi Gavião, ambas localizadas no limite entre Fortaleza e Caucaia, nas margens da BR-222 e próxima ao antigo Frigorífico Industrial de Fortaleza (Frifort). Ali, bandidos impedem que moradores de uma comunidade transite em direção a outra. Quem desobedecer, é assassinado.

Foi o que, provavelmente, com Carlos Clementino. Ele trabalhava como entregador de botijões de gás de cozinha e já havia sido ameaçado de que não poderia entregar botijões na favela Zizi Gavião por ser morador do São Miguel. Desde o dia 1º de março ele não foi mais visto na área. Depois disso, a família recebeu ligações telefônicas de supostos bandidos informando que Calos havia sido executado e o corpo enterrado.

Ameaças

“Disseram uma vez que o corpo estava enterrado nas margens do Rio Maranguapinho, aqui perto. Noutra ligação indicaram que estava enterrado no mangue do Rio Ceará. Mas, depois, disseram que está enterrado nos fundos de um terreno baldio ao lado de uma creche aqui perto. Mas não fomos até lá, por disseram que se formos ou se alguém chamar a Polícia, morre”, disse um familiar.

A família, desesperada, disse que espera por buscas da Polícia e dos Bombeiros para a localização do corpo do entregador.

Caso semelhante

Na última sexta-feira (9), bombeiros encontraram no mangue do Rio Ceará, no bairro Vila Velha, na zona oeste de Fortaleza, os corpos de três mulheres que haviam sido sequestradas uma semana antes em uma residência na Barra do Ceará. As buscas duraram cinco dias, até que um dos suspeitos da matança decidiu ajudar na localização dos corpos.

As três mulheres – identificadas como Nara Aline Mota de Lima, Darciele Anselmo de Alencar e Ingrid Teixeira Pereira – foram sequestradas por integrantes de uma facção criminosa, torturadas, mortas a tiros e os corpos decapitados. Uma delas teve os braços costados a golpes de facão quando ainda estava viva. Os assassinos filmaram toda a cena com um celular e postaram as imagens nas redes sociais. Pelo menos, quatro adultos e um adolescente foram capturados pela Polícia.

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