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Policial

Facções dão prazo de 5 minutos para famílias deixarem residências do Minha Casa Minha Vida, no Ceará

Em um dos casos registrados em Fortaleza, a vítima encontrou fechaduras trocadas ao tentar buscar seus objetos

Tribuna do Ceará | Um condomínio inaugurado recentemente em Fortaleza já teve mais de 50 famílias expulsas de casa por facções criminosas, algumas com cinco minutos de prazo para deixar o local.

O Conjunto José Euclides Ferreira Gomes – no Jangurussu – é um dos projetos do programa Minha Casa Minha Vida e estaria sob o controle do crime organizado no Ceará. O condomínio teve a primeira etapa entregue há menos de um ano, mas a presença de uma facção já é clara na região. A organização dita ordens e intimida moradores, alguns deles já expulsos de casa.

O orçamento do projeto era de R$ 188 milhões da União e R$ 18 milhões do Estado. A primeira etapa entregou quase 1.500 apartamentos em agosto do ano passado. No entanto, o Ministério Público levantou que pelo menos 52 imóveis foram tomados pelo crime organizado com ameaças de morte aos moradores ou de invasão.

No último dia 16 de janeiro, um imóvel foi esvaziado sob ameaça de morte e de prazo de dez minutos para desocupação. Já este ano, em 2 de fevereiro, a invasão do imóvel teve ainda ameaça de morte e espancamento. Em 8 de março, uma vítima sofreu ordem de despejo e saída em, no máximo, cinco minutos. Uma semana depois, outra ordem de despejo, e a vítima encontrou as fechaduras trocadas ao tentar buscar seus objetos.

Uma pessoa beneficiada com um imóvel teve o filho assassinado dentro do residencial. Agora o Ministério Público busca garantir às famílias a posse dos imóveis tomados pelo crime. Uma ação na Justiça Federal aponta que os despejos se espalharam por todos os projetos do Minha Casa Minha Vida, na Grande Fortaleza.

No Jangurussu, os moradores teriam até correspondências violadas e as tubulações de esgoto seriam usadas para armazenar drogas, assim como caixas de energia. Em reuniões de condomínio, o crime teria voz de liderança. Semana passada, a Secretaria da Segurança disse que moradores expulsos podem voltar para casa.

O Ministério Público aponta que no residencial Cidade Jardim, do Minha Casa Minha Vida, no bairro José Walter, houve instalação de câmera para o controle do conjunto residencial. A ação aponta que foram recebidas denúncias de que já existia até o uso de drones por parte do crime organizado.

O Cidade Jardim II, que teve parte dos imóveis entregue no fim de junho, já tem sinais da presença da facção Guardiões do Estado (GDE), mesma organização apontada como responsável pela violência no residencial do Jangurussu, onde este ano começaram a funcionar uma torre da Guarda Municipal e um posto da Polícia Militar.

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