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Morre Alfie Evans: entenda o caso do bebê que esteve no centro de uma luta entre família e hospital

Quase dez meses após a morte de Charlie Gard, a Inglaterra assiste à história se repetir com o caso de Alfie

Sempre Família | Alfie Evans, o bebê britânico que esteve no centro de uma batalha jurídica entre o hospital e os pais, morreu na madrugada deste sábado, às 2h30 da madrugada. A notícia foi dada pelo pai do menino, Tom Evans, por meio de uma mensagem no Facebook: “o meu gladiador ganhou seu escudo e suas asas às 2h30 (hora local). Absolutamente desconsolados”.

Relembre os principais momentos dessa história dramática:

Quase dez meses após a morte de Charlie Gard, um bebê britânico com uma doença degenerativa que esteve no centro de uma batalha judicial entre seus pais e o hospital em que estava internado, a história se repete com Alfie Evans, de quase dois anos de idade, e seus pais Tom Evans e Kate James. A custódia do bebê, que esteve em estado semivegetativo por meses, é objeto de disputa entre os pais e o Hospital Pediátrico Alder Hey, em um caso que tomou grandes proporções e recebeu nos últimos dias a intervenção do governo italiano e do Papa Francisco.

O que se sabe sobre o estado de saúde de Alfie é que ele tem uma condição neurológica degenerativa. O diagnóstico preciso não é conhecido, mas o bebê já sofreu um dano neurológico severo e irreparável, que ainda prossegue. Alguns especialistas acreditam que ele tenha a mesma condição mitocondrial que Charlie Gard tinha – uma doença rara sem cura conhecida que provoca progressiva degeneração neuronal e enfraquecimento muscular.

A equipe médica do hospital considera que qualquer tratamento será “fútil” e “inumano”, devido ao fato de que os exames mostraram uma “degradação catastrófica do tecido neuronal”. Os pais, porém, lutaram em todas as instâncias do Judiciário para que o suporte artificial à vida de Alfie não fosse descontinuado e o bebê pudesse ser transferido para outro hospital, na esperança de ter sua condição diagnosticada com exatidão. Entenda como o caso de Alfie se desenrolou:

Maio de 2016

Alfie nasceu em 9 de maio de 2016. Em seus primeiros sete meses de vida, ele parecia ter dificuldades em seu desenvolvimento. Quando os seus pais perceberam que ele fazia movimentos parecidos com convulsões, procuraram os médicos, mas apenas ouviram que Alfie teria um desenvolvimento mais tardio.

Dezembro de 2016

Alfie foi internado no Hospital Pediátrico Alder Hey, em Liverpool, depois de uma infecção no peito que lhe causou convulsões. Sua respiração passou a ser mantida por aparelhos. Alfie superou em seguida a infecção no peito e voltou a respirar sozinho. Ele teve, porém, uma nova infecção e precisou novamente de ventilação artificial.

Junho de 2017

Na efervescência do caso de Charlie Gard, Tom Evans contou a um jornal de Liverpool que temia que o mesmo acontecesse com Alfie e o hospital iniciasse uma batalha legal para desligar os aparelhos que mantêm o bebê vivo.

Dezembro de 2017

A equipe do hospital comunicou aos pais de Alfie que todas as opções se esgotaram e deixou clara a sua oposição à transferência do bebê para outro local. O hospital pediu à Alta Corte de Justiça permissão para desligar a ventilação artificial de Alfie.

1º de fevereiro de 2018

A Alta Corte abriu o caso e começou a ouvir médicos, advogados e os pais de Alfie.

20 de fevereiro

O juiz Anthony Hayden emitiu a decisão de que o suporte artificial à vida de Alfie não deve ser continuado, argumentando que isso corresponde ao “melhor interesse” do bebê.

6 de março

A Corte de Apelação recusou um recurso dos pais de Alfie, que decidiram então remeter o caso à Suprema Corte.

20 de março

A Suprema Corte afirmou que se recusa a ouvir o caso.

28 de março

O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos também recusou intervir no caso.

4 de abril

O Papa Francisco publicou um tuíte dizendo: “É minha sincera esperança que seja feito todo o possível para continuar acompanhando o pequeno Alfie Evans e que o profundo sofrimento de seus pais seja ouvido. Estou rezando por Alfie, por sua família e por todos os envolvidos”.

12 de abril

Depois de centenas de pessoas protestarem em frente ao hospital, a Corte de Apelação decidiu ouvir novamente o caso.

16 de abril

Os juízes da Corte de Apelação decidem novamente a favor da decisão do hospital. Tom Evans recorreu mais uma vez à Suprema Corte.

18 de abril

O Papa Francisco recebeu Tom Evans no Vaticano. Depois, na audiência geral costumeira das quartas-feiras na Praça de São Pedro, chamou a atenção para o caso do bebê. “Gostaria de repetir e confirmar, com força, que o único dono da vida, do início ao fim natural é Deus”, disse o pontífice. O Hospital Pediátrico Bambino Gesù, de Roma, que pertence ao Vaticano, reafirmou sua disponibilidade para receber Alfie.

No mesmo dia, a Conferência dos Bispos Católicos de Inglaterra e Gales publicou uma nota dizendo que reconhece a “integridade” de todos os envolvidos no caso. “O profissionalismo e o cuidado pela criança, severamente doente, mostrados pelo hospital precisam ser reconhecidos e afirmados”, disse o comunicado. “Com o Santo Padre, rezamos para que, com amor e realismo, tudo possa ser feito para acompanhar Alfie e seus pais em seu profundo sofrimento”.

20 de abril

A Suprema Corte britânica se posicionou em concordância com os médicos, rejeitando um recurso interposto pelos pais de Alfie. “O hospital deve ser livre para realizar aquilo que foi determinado como do melhor interesse de Alfie”, disse um comunicado dos três juízes que emitiram a decisão. No mesmo dia, os bispos do estado do Rio de Janeiro publicaram uma carta manifestando “incondicional apoio à família do pequeno Alfie Evans”.

22 de abril

Tom Evans enviou uma carta à rainha Elizabeth II, pedindo a sua intervenção no caso. Não houve resposta.

 23 de abril

A Corte Europeia dos Direitos Humanos se recusou novamente a intervir no caso. No mesmo dia, o governo italiano concedeu a cidadania de seu país a Alfie, na esperança de evitar a ventilação artificial e de transferi-lo para um hospital na Itália.

O papa voltou a tuitar sobre o caso. “Renovo meu apelo para que seja ouvido o sofrimento de seus pais e seja satisfeito seu desejo de tentar novas possibilidades de tratamento”, disse.

Por volta das 21:15 horas locais (17:15 no horário de Brasília), Alfie teve removida a ventilação artificial.

24 de abril

Alfie seguiu respirando sozinho por mais de 9 horas após a retirada do respirador. Depois, recebeu um inalador. A Itália havia preparado um avião para levá-lo ao Hospital Bambino Gesù, mas um juiz impediu que Alfie saísse do país. Reconheceu, porém, que o hospital deveria permitir que os pais levassem o bebê para casa.

25 de abril

Os pais de Alfie protocolaram um novo recurso junto à Corte de Apelação defendendo a transferência do bebê para a Itália. No mesmo dia, o presidente da Polônia, Andrzej Duda, tuitou sobre o caso, dizendo que “Alfie Evans precisa ser salvo! Esse bravo garotinho provou novamente que o milagre da vida pode ser mais forte do que a morte. Talvez o necessário seja apenas uma dose de boa vontade da parte dos que tomam decisões. Alfie, rezamos por você e por sua recuperação!”. O recurso dos pais de Alfie foi rejeitado pela Corte de Apelação. O hospital passou a proibir a entrada do padre italiano Gabriele Brusco, que acompanhava a família.

26 de abril

Os pais de Alfie começaram a dialogar com a equipe do hospital sobre a transferência do bebê para casa. Tom agradeceu aos apoiadores, mas pediu que eles deixassem de montar guarda em frente ao hospital.

28 de abril

Alfie morre.

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