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Ceará

Sem motivo para comemorar, Caucaia busca corpos de mulheres

As três vítimas foram torturadas, mutiladas e mortas dentro de uma área de mangue. A barbárie foi filmada

DN | Ao longo desse dia, milhares de mulheres receberão rosas, cumprimentos cordiais e mensagens de familiares e amigos ressaltando o quanto elas são importantes em suas vidas.

Mas para Ingrid Teixeira Ferreira, Nara Lima e Darciele Anselmo de Alencar não haverá comemoração no Dia Internacional da Mulher. Em comum com as rosas que se espalharão pelas ruas, terão apenas o vermelho, cor do sangue que delas se esvaiu ao serem torturadas, mutiladas, assassinadas e decapitadas em uma área de mangue, no bairro Parque Leblon, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza.

Os crimes brutais ocorreram na última sexta-feira (2), mas só vieram à tona nesta terça-feira (6), após a prisão de quatro homens envolvidos no triplo homicídio. Tendo acesso aos vídeos que expuseram a barbárie – incluindo a filmagem de membros das vítimas sendo cortados a golpes de facão, enquanto elas ainda estavam vivas -, a equipe de investigação do 7ºDP (Pirambu) chegou a três homens e a um adolescente, de 17 anos, no mesmo bairro em que ocorreram as torturas e assassinatos.

“A partir das imagens, nosso setor de análise deduziu o possível local do crime e equipes foram deslocadas para lá. Após diligências e algumas denúncias anônimas, chegamos ao nome de um dos presos, que aparece no vídeo em questão”, revelou o titular do 7ºDP, delegado Marciliano Ribeiro.

O suspeito citado pelo investigador é Diego Alves Fernandes, de 21 anos, que já tinha passagem pela Polícia pelos crimes de receptação e organização criminosa. Ele foi o único a assumir a participação nos casos. Além dele, os agentes prenderam Luís Alexandre Alves, de 23 anos, que já respondeu por roubo; e Antônio Honorato dos Santos, de 42 anos, sem antecedentes.

aO adolescente apreendido também já tem registros de cometimento de atos infracionais na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA). Um quinto suspeito, Alison de Oliveira Borges, de 19 anos, conseguiu fugir do Parque Leblon, após perceber a movimentação dos agentes de Segurança Pública. A Polícia Civil já solicitou a prisão preventiva de Alison Oliveira Borges ao Poder Judiciário.

Motivação

Os investigadores acreditam que o motivo para o triplo homicídio seja, mais uma vez, a disputa entre as facções criminosas. Os homens apontados como autores dos crimes seriam integrantes da facção local Guardiões do Estado (GDE), enquanto as vítimas, supostamente, teriam envolvimento com o Comando Vermelho, explica o delegado adjunto do 7ºDP, Alexandre Sanders.

As três mulheres, que morava, na Comunidade do Coqueirinho, no bairro Goiabeiras; e no bairro Pirambu foram arrebatadas pelos criminosos na Barra do Ceará, levadas ao Parque Leblon e assassinadas no mangue às margens do Rio Ceará.

Familiares de Ingrid Ferreira, de 22 anos, registraram, no sábado (3), um Boletim de Ocorrência (B.O.) dando conta do desaparecimento da jovem. Conforme o delegado Marciliano Ribeiro, o pai de Ingrid reconheceu a filha no vídeo gravado pelos assassinos. Contudo, nem o corpo dela, nem das outras duas mulheres foram encontrados durante a primeira incursão da Polícia, ainda na terça-feira.

Como anoiteceu, a operação teve que ser suspensa. As buscas foram retomadas de manhã e adentraram na tarde desta quarta-feira (7), com apoio de quatro agentes da Seção de Busca, Resgate e Salvamento com Cães (Sbresc) do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CBMCE) e de dois cães. Porém, mesmo depois das investidas à região de mata densa até a margem do Rio Ceará, contando com o faro apurado dos cães treinados, e com marcas de lama até os joelhos, os bombeiros não conseguiram encontrar nenhum vestígio dos corpos das vítimas.

Marés

Para o subtenente J. Maria, há condições de localizar as três mulheres, porém, ele também reconhece a possibilidade de elas terem sido arrastadas pelas sucessivas cheias das marés. O bombeiro afirmou ainda que a mata onde os bombeiros entraram é bastante similar à que aparece nos vídeos divulgados nas redes sociais. Algumas pedaços de peças de roupas foram encontradas pelo caminho, mas não está confirmado que sejam das mulheres torturadas.

Mesmo inconclusiva, a operação foi marcada por um clima de tensão no Parque Leblon. Moradores do bairro chegaram a bater boca com agentes da Força Tática da Polícia Militar (PM) que davam suporte às buscas. Segundo os policiais, Luís Alexandre teria bastante influência no bairro e poderia estar coagindo algumas pessoas a colher informações sobre o caso.

“É apenas uma questão de tempo até que consigamos achar os corpos das vítimas. Esperamos que, em breve, as filhas possam ser entregues a seus pais, para que eles possam se despedir”, destacou o delegado Alexandre Sanders.

Denúncias sobre o único suspeito do crime que ainda permanece foragido, Alison de Oliveira Borges, podem ser feitas pelos telefones 3101. 2231 ou 3101.2232 do 7ºDP (Pirambu); ou para o número gratuito 181, que funciona como tele-denúncia da Secretaria de Segurança Pública e Defesa social (SSPDS). A Pasta garante total anonimato de quem ligar e contribuir com as investigações.

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