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Brasil

Objetivo das milícias é tomar territórios controlados pelo Comando Vermelho, diz promotor

Em abril, operação no Rio apreendeu armas e munição em sítio em Santa Cruz, sob suspeita de pertencer a milicianos da Liga da Justiça

Uol Notícias | Para o promotor de Justiça Luiz Antônio Ayres, que combate há 20 anos as milícias no Rio de Janeiro, a expansão de territórios conquistados por essas facções criminosas se tornou uma ameaça à democracia.

“Hoje as áreas dominadas já são currais eleitorais. Com o domínio total, só teremos eleitos candidatos promovidos pelas milícias”, disse Ayres, em entrevista ao UOL.

Ele trabalha na promotoria de Campo Grande, bairro da zona oeste carioca que é o berço da maior milícia da cidade, a chamada Liga da Justiça.

“Nos últimos dez anos, a milícia tomou quase todas as comunidades que eram do Comando Vermelho na área de Santa Cruz, também na zona oeste. A única exceção é a favela de Antares”, afirma ele.

“Esse é o objetivo das milícias: tomar os territórios dominados pelo Comando Vermelho. É disso que se trata a guerra urbana que acontece no Rio de Janeiro”, diz Ayres.

Hoje as áreas dominadas já são currais eleitorais. Com o domínio total, só teremos eleitos candidatos promovidos pelas milícias

Luiz Antônio Ayres, promotor de Justiça

Os milicianos são grupos paramilitares que controlam bairros e favelas cariocas pela cobrança extorsiva de serviços, a exemplo de segurança compulsória, agiotagem, venda de gás de cozinha e comércio ilegal de sinal de internet e TV a cabo, o “gatonet”.

Esses grupos criminosos são formados, em boa parte, por agentes do Estado, como policiais militares e civis, bombeiros, integrantes das Forças Armadas e agentes penitenciários.

“Em 2013 e 2014, eles se associaram aos traficantes do Terceiro Comando, que vendem drogas também em benefícios das milícias”, diz o promotor.

“As milícias perceberam que a visibilidade era ruim para os negócios e decidiram atuar de maneira mais profissional e velada. Assim copiaram as máfias e o terrorismo internacional, organizações em que os líderes agem de maneira subterrânea e os membros ficam mais difíceis de serem identificados”, diz o promotor. “A Liga da Justiça não usa mais o nome da milícia entre eles.”

Secretaria diz que combate milícias

Procurada pelo UOL, a Secretaria de Estado de Segurança (Seseg) afirmou que, por meio das polícias Civil e Militar, “atua com rigor no combate aos grupos paramilitares”.

Também informou que, de 2006 a abril de 2018, foram efetuadas 1.514 prisões de suspeitos de envolvimento com grupos paramilitares em ações das forças de segurança do estado.

Encerrada em novembro de 2008, a CPI das Milícias teve um total de 226 indiciados, dos quais pelo menos 61 foram condenados posteriormente por crimes como associação criminosa, porte ilegal de arma e homicídio.

Já foram assassinados a tiros pelo menos 53 milicianos cujos nomes constavam naquela investigação parlamentar.

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