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Brasil

‘Churrasco com carne humana’ marca rebelião e vídeo gera revolta

Nesse início de ano, novas rebeliões já registraram pelo menos 9 mortes em presídios brasileiros. Churrasco ocorreu em 2017

Alguns crimes chamam a atenção de todo o país e nem com o tempo acabam esquecidos. Nessa primeira semana do ano, por exemplo, uma rebelião deixou pelo menos nove mortos no Norte do Brasil. O episódio ocorreu exatamente um ano após o famoso motim na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte. Na ocasião, pelo menos 26 pessoas faleceram só naquele presídio.

No entanto, a rebelião local e a forma como o noticiário propagou tudo na época fez com que os casos tivessem ampla divulgação nacional. A barbaridade nas rebeliões e detalhes macabros foram o que ajudaram a esse tipo de conteúdo a se sustentar nos veículos de comunicação.

De cabeças cortadas a churrasco de preso: um ano após rebelião em Alcaçuz pouca coisa mudou. As brigas nos presídios envolviam bem mais do que querer melhores condições para conviver na penitenciária. Duas facções faziam a festa na região, criando um verdadeiro sindicato do crime.

Em Natal, quem manda nos presídios é a Família do Norte, arquirrival do Primeiro Comando da Capital, o PCC, que, por sua vez, faz sucesso mesmo no Sudeste. Ambas facções promoveram matanças nos presídios. Algumas delas foram filmadas e colocadas na internet.

Presos canibais e cortadores de cabeça continuam existindo. Há de tudo. Em um dos vídeos, por exemplo, membros do PCC enfiam uma faca no olho de um preso vivo e com o sangue dele escrevem a sigla da facção criminosa. Não para por aí. Em outros momentos, é a Família do Norte que come carne humana, como ocorreu em janeiro de 2017.

Em um vídeo, os presos ironizam: “Aqui é churrasco de PCC”, diz um deles. “É churrasco na chapa”, acrescenta outro detento.

Os homens que aparecem nas imagens portam armas brancas, como facões. A carne que sobrou do churrasco foi levada para a análise. No entanto, até hoje o caso tenta ser escondido, como se houvesse uma vergonha das autoridades públicas com tudo o que aconteceu.

Mesmo com péssimas condições em seu sistema prisional, o Brasil continua sendo um dos países com a maior população carcerária do planeta. Mesmo após tudo o que ocorreu, a situação não mudou muito. Há muitos presos em condições insalubres, que geram revolta. No geral, os detentos ficam em celas amontoados, em situações que chegam a ser pior do que a dos frangos para abate.

Não é à toa que muitos voltam a cometer novos crimes. Sem oportunidades e revoltados, eles acabam ficando para sempre nesse estigma e a população, no geral, é quem acaba sendo prejudicada.

Via É Manchete

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